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REMI P. LANCASTER - info@chafrito.com
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ANO II > MAIO 2016
TEXTO
REMI P. LANCASTER

O MENTIROSO
CAPÍTULO I - VANI > PG. 03
Encontramos o hotel e acertamos um cachê muito especial com a dançarina tesuda. Subornamos alguns funcionários porto-riquenhos e tivemos acesso ao quarto com hora marcada e cópia da chave. Preparamos a Diana do nosso paparazzo de plantão e nos separamos. Fui para o bar do hotel e o detetive ficou a espreita no quarto ao lado, atento ao sinal da vedete que gritaria “Ai que loucura!” quando a cena estivesse montada.
Duas horas depois, no bar, o chefe da segurança se apresentou e me deu dois rolos de filmes e uma caixa com quatro tetas de nega. Disse que estava tudo resolvido. Corri para o aeroporto e enquanto esperava o meu voo, dei uma olhada nos negativos. Nunca, jamais ri tanto na minha vida.
O Dom Juan, cafajeste das Alagoas, foi fotografado no seu melhor ângulo. Os banqueiros de São Paulo nunca mais verão um candidato à presidência, somente de botas, amarrado de quatro sobre uma cama king size, cercado por orquídeas da Malásia, pastando em uma caixa de doces, com uma vela do sétimo dia, acesa, enfiada no rabo. Melhor, impossível.
Levei as fotos para o meu sogro, que as mostrou para os financiadores da campanha do arrombado, que as mostrou para os candidatos adversários, que as mostrou para suas esposas e amantes. Até hoje ninguém confirma, mas tenho pra mim, que esta história foi a responsável pelo início do regime militar em 64.
Reconquistei a Vani, recuperei a minha honra e ainda descobri, da pior maneira, que as quatro tetas de nega, que comi durante o voo de volta para o Brasil, eram na verdade uma elaborada embalagem para o transporte internacional de “Brizola”.
No meio do voo, senti um desconforto. Me deu uma leve dor de cabeça. Achei que fosse do ataque de risos (por causa das fotos). Respirei fundo, tentei relaxar e comecei a ficar impaciente com as varizes de uma mulher sentada ao meu lado no corredor. De repente, passei a ouvir uma voz que dizia “tome cuidado com as varizes”. Uma dor no peito tirava a minha concentração do alerta que vinha do além e do nada, perdi o interesse por sexo. Na época eu não fazia ideia, mas estes eram os sintomas de uma overdose. Os passageiros a bordo perceberam o meu estado e avisaram os comissários que trouxeram o tal do EEMK, que não valeu de muita coisa. Acabaram me dando um pouco de água, oxigênio e um psiquiatra, que voltava da Flórida, me tranquilizou discursando sobre casos bem sucedidos de ex-viciados em Haxixe. Fizemos um pouso fora da escala em Manaus, onde fui hospitalizado e o teste toxicológico acusou Merla (eu disse merla, com “L”), marshmallow e cacau.
Mesmo tendo sido um hippy moderado no final da década de 60 (eu estive na “Marcha sobre o Pentágono” e no “Trips Festival”, ambos em 1967), para fazer parte deste trecho alucinado da história era obrigatório o uso de L.S.D. O ópio, a Coca-Cola e o vinho Mariani não estavam mais na moda, então eu considerava a cocaína coisa do passado até que li no resultado de PDT a palavra merla. Merla é um tipo de “freebase” para cocaína e derivados. É uma pasta primária, pouco processada e por isso considerada grosseira, entretanto, no mundo dos negócios qualquer incidente é uma oportunidade de lucro. Liguei para a Vani, que teve uma ideia genial.




CONTINUA...
Remi vive em um asilo na zona sul de São Paulo. Não há registros que confirmem suas histórias. A novela “O Mentiroso”, nunca publicada, foi escrita entre 1975 e 2004. Segundo a psiquiatria da instituição, Remi não possui parentes.