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XAVI - xavierlima@terra.com.br
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A resposta é publicada aqui.

ANO II > MAIO 2016
RES:
XAVI

XAVI
Sebastião Xavier de Lima, o famoso Xavi, é um caricaturista e ilustrador premiado. Já apresentou seu trabalho nos principais salões de humor do Brasil e em 2014 foi convidado a expor no Museo do Humor Fene, na Espanha.
Ter dinheiro parece ser o imprescindível pra se fazer qualquer coisa, mas antes de tudo acredito ter qualidade e peito largo.

Em que pé está o mercado que você atua?
RES: Tenho sentido certa dificuldade em trabalhar na área de ilustração, parece-me que o mercado deu uma bela enxugada nos fornecedores de ilustrações, porém na qualidade de caricaturista não tenho muito do que reclamar. Depois do mundão da internet as coisas não tem sido fáceis pra gente, mas penso que também se deve ao aumento de gente desenhando pelo mundo a fora, e espero que também aumente o número de compradores desse trabalho.

Qual o seu método para estimular a criatividade?
RES: Não tenho um método específico de estimular a criatividade, mas quando dá um branco eu pego alguma outra coisa qualquer pra fazer e sempre dá certo. Porém acredito num método de olhar pra determinado objeto e ficar imaginando figuras com ele ou outras utilidades dele.

Existe um "roteiro da fama" para aqueles que querem dar uma guinada na carreira de desenhista?
RES: Bem... (como começam os americanos em entrevista, rsrsrsr)... ainda acredito muito nos salões de humor como aporte de melhoria na carreira, apesar de que tenho percebido as agruras que esses salões estão sofrendo ou por pressões políticas e administrativas dos órgãos públicos que em certos casos determinam a realização, ou por falta de recursos mesmo pois no Brasil as coisas relacionadas a cultura parece que são sempre deixadas de lado. Porém a gente tem aqui no Estado de São Paulo o Mapa Cultural Paulista que mesmo sem muito apoio financeiro do estado vem tratando as artes visuais com mais atenção e os grandes encontros de HQs que ainda não tive oportunidade de participar, mas que estão sendo focos de atenção do público juvenil.

Quais os autores que você indica?
RES:
Na minha área de caricatura o artista que mais admiro é o Dálcio Machado; em tiras ainda acho muito bom o Fernando Gonzalez; em quadrinhos apesar de não tá mais por esse mundo o Moebius (o Jean Giraud) apesar de francês, mas de Brasil a gente tem o Gilmar Machado e o Fabio Moon com o irmão Gabriel Bá, porém adoro o legendário argentino Quino e o espanhol-mexicano Sérgio Aragonês. Em pintura indico um carinha que tá se dando muito bem com os pincéis e amigo meu, Edu Cardoso. Em literatura é bastante complicado indicar alguém, mas acho João Ubaldo Ribeiro um ícone. Mas ainda tem o grande José Ortiz morto em 2013, Fernandes, Baptistão, Angeli e uma infinidade de caras bons.

O que é indispensável para uma produção independente?
RES:
Ter dinheiro parece ser o imprescindível pra se fazer qualquer coisa, mas antes de tudo acredito ter qualidade e peito largo. 

O que ninguém fala sobre a profissão de desenhista?
RES:
O que acho que ninguém tem muita coragem de falar é sobre o sufoco do artista no Brasil que por muitas vezes tem de vender a mãe pra conseguir alguma coisa por aqui.

Como seria o esboço do Brasil Xaviano?
RES:
Acho que eu precisaria desenhar muito ainda pra conseguir ter um Brasil Xaviano, mas um breve rabisco seria ter todas as portas abertas de incentivo a todo iniciante e que o único órgão que tem capacidade de fornecer guarida é o Estado através de cursos gratuitos e emprego como se fosse uma fundação de artes, porém não paternalista demais, além de que antes disso o estado pensasse em melhorar as atenções a arte justamente pra formar um público comprador do trabalho do artista, isto através de uma escola mais completa e crítica que dê visão e condições pra criança se tornar um adulto consumidor de cultura.


Valeu, Brow.
Xavi

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