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O áudio é um registro fonográfico feito pelo Instituto Moreira Salles da gravação datada do início do século XX interpretada pelo ator português Franco d'Almeida.

ANO I > ABR 2015
TEXTO
LAURINDO RABELO

AS ROSAS
DO CUME
"No cume daquela serra
Eu plantei uma roseira.
Quanto mais as rosas brotam,
Tanto mais o cume cheira.

À tarde, quando o sol posto,
E o cume o vento adeja,
Vem travessa borboleta
E as rosas do cume beija.

No tempo das invernadas,
Que as plantas do cume lavam,
Quanto mais molhadas eram,
Tanto mais no cume davam.

Mas se as águas vêm correntes,
E o sujo do cume limpam,
Os botões do cume abrem,
As rosas do cume brincam.

Tenho, pois, certeza agora
Que no tempo de tal rega,
Arbusto por mais mimoso
Plantado no cume, pega.

Vem porém o sol brilhante
E seca logo a catadupa;
O mesmo sol a terra abrasa
E as águas do cume chupa.

A rosa do cume fica
no mais alto da montanha
A rosa do cume pica
A rosa do cume arranha.

As rosas do cume espreitam
entre as folhagens d'além
trazidos na fresca brisa
os cheiros do cume vêm.

No cume duma montanha
tem um olho d'água à beira.
É uma água tão cheirosa
que a multidão ansiosa
o olho do cume cheira."
Laurindo José da Silva Rabelo, poeta brasileiro, ultrarromântico e polêmico. Nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1826 e morreu, aos 38 anos de idade, em setembro de 1854. Foi patrono da cadeira número 26 da Academia Brasileira de Letras.