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REMI P. LANCASTER - info@chafrito.com
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ANO I > OUTUBRO 2015
TEXTO
REMI P. LANCASTER

O MENTIROSO
CAPÍTULO I - VANI > PG. 02
Meu sogro estava em Berna, aliás, a Suíça está para os ricos cretinos assim como a Jamaica está para os maconheiros que não gostam de tomar banho, todos formam um bando de imundos.
Por telefone, Tito me disse que o bacana que concorria à presidência das bananas estava em Napa, na Califórnia, enchendo o rabo de vinho com sua amante midiática.
Todos, inclusive a imprensa, sabiam que o “Caçador de Coronéis Corruptos” ou era o “Caçador Corrupto de Coronéis” (me desculpem, não sei mais) tinha um caso de longa data com uma das dançarinas do principal programa de auditório do país, porém, por causa de negócios entre a família do candidato, de raízes alagoana, e os donos das duas maiores redes de televisão, essa notícia era um “figurante sem texto”.
A dançarina era uma mulher espetacular. Um metro e oitenta e dois de pura submissão, coxas musculosas, seios pontudos, cintura fina e um traseiro que fazia dela a preferência nacional entre os homens casados nas tardes de sábado. Para um mortal comum, ter uma mulher assim é um desejo frustrante, mas para quem tem Bugattis e Lamborghinis na garagem, bastava US$ 1.000 em dinheiro e uma varanda com vista para a saudosa praia de Iracema. Quem, naquela época, pagou mais do que isso negociou com a cafetina errada.
Bom, de qualquer jeito não arruinamos o playboy por causa da dançarina, na verdade, o dinheiro que financiava a campanha do almofadinha era de banqueiros paulistas, que queriam derrubar um decreto que limitava a cobrança dos juros sobre os empréstimos, e dos engravatados importadores de cocaína, mais tarde conhecidos como traficantes da teta de nega. Tinha tudo para acabar em renúncia.
E em meio a toda essa diversão, onde estava Vani?
Eu havia chegado a Los Angeles a pedido do detetive que estava no encalço do comedor de briocos cor de rosas, quando recebi um telegrama no saguão do hotel que dizia: “Estou em chamas, morrendo de saudades de você. Descobri que tenho duas vaginas. Para sempre sua. Vani.”. O bilhete vinha de Cannes. Fiquei chocado.
É verdade que homens ricos têm muito tempo ocioso e defender a própria honra passa a ser uma motivação para diversas experiências extravagantes. Mas, quando li aquilo me dei conta que a Vani era uma mulher especial e sua carência sexual-afetiva, que a levava ser tão promíscua, de alguma forma estava ligada ao fato de poder gerar, ao mesmo tempo, dois filhos de pais diferentes. Sua natureza de fêmea procriadora falava mais alto.
Estranhamente esta notícia me fez querer defender os orifícios da Vani com toda a minha honra. Com duas bucetas à disposição, o filho da puta foi entrar pela porta dos fundos...
O detetive contratado era um velho conhecido dos políticos do Rio Grande do Sul. Ele guardava segredos que manchariam a imagem da oligarquia brasileira de uma maneira incorrigível. Só para ilustrar, ele estava com Jango (o vice de Jânio) e mais cinco putas em Singapura quando dois homens da comitiva chegaram para dar a notícia da renúncia. O cara tinha costas quentes, mas, os tempos haviam mudado e o testemunho de alguém não era suficiente para que a imprensa publicasse uma manchete, precisávamos de provas. Precisávamos de fotos.




CONTINUA...
Remi vive em um asilo na zona sul de São Paulo. Não há registros que confirmem suas histórias. A novela “O Mentiroso”, nunca publicada, foi escrita entre 1975 e 2004. Segundo a psiquiatria da instituição, Remi não possui parentes.