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REMI P. LANCASTER - info@chafrito.com
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ANO I > JULHO 2015
TEXTO
REMI P. LANCASTER

O MENTIROSO
CAPÍTULO I - VANI > PG. 01
Durante anos fui desrespeitado e resolvi escrever tudo que sei sobre falcatruas envolvendo políticos e empresários de São Paulo. À merda com a cumplicidade dos diplomatas.
Sou casado com a Vani, com exceção deste nome usarei nomes falsos por motivos óbvios. Como eu dizia, sou casado com a Vani, filha única de um casal bem conhecido da sociedade paulistana.
Já não trabalho há algum tempo. Eu e minha esposa éramos amigos de Bismark Madoff e por conta de um desentendimento besta por causa de dinheiro, vendemos a nossa parte na pirâmide e voltamos para o Brasil. Recebemos uma boa grana. O valor foi muito além do que os jornalecos paulistas divulgaram na época. De resto, meu sogro é o dono de um terço da cidade, enfim, dinheiro nunca foi o problema.
O caso é que eu não vim de nenhuma família de coronéis do café e tão pouco sou de São Paulo. Ganhei na Loteria Federal três vezes em menos de cinco anos. Até hoje me divirto com isso, foi o maior feito da minha vida. Foi nesta época que conheci Vani.
Estávamos na Itália e um amigo turco nos apresentou. Entre o bater dos talheres e o zum-zum-zum característico dos frequentadores do Cipriani, havia uma mão delicada e quente acariciando o meu pau. Foi ali que percebi a dor de cabeça que seria casar com aquela mulher e mesmo assim, casei.
Não tivemos filhos, mas rodamos mundo e a Vani rodou na mão de capitães de navio, pilotos de avião (e de Fórmula 1), astronauta russo, lutador de boxe, jogador de golfe,  jogador de pôquer, astro de cinema (e também depois que ele virou governador), diretor de filme iraniano, donos de restaurante, dono de fábrica de carne, filho de dono de fábrica de carne, um senador e dizem que até a primeira-dama de um paisinho sul-americano metido a europeu, pegou a Vani. Foi foda.
Aguentei tudo, calado, porém com as contas bancárias cheias, até que, Vani me dá a bunda para um candidato à presidência da República do Brasil.
A única vez que fizemos sexo anal foi em Aspen, depois que Vani, bêbada, sentou em cima de uma garrafa de Armand de Brignac. O que é um peido para quem está cagado? Meti bronca. Depois, nunca mais.
Imaginem o que é para um homem rico que anda com um Hublot no pulso, saber de um vereadorzinho de merda que a sua mulher deu o cu, no gabinete dele, para o candidato à presidência com a maior intenção de votos dos últimos vinte anos? Fiquei desesperado! Achei que tinha perdido a Vani para sempre. O jeito foi desbancar o babaca.
Fui falar com o meu sogro, na época era o terceiro homem mais poderoso de São Paulo. Quatrocentão, de família portuguesa, conhecia a própria filha até demais. O chamarei de Tito Ortogiz Aranha e Gama, magnata, banqueiro dos tempos da terra da garoa.
Além do pavor de beber água de torneira, Tito Ortogiz tinha outro defeito, era um pedófilo assumido. Distribuía favores para qualquer um que fosse de família tradicional e tivesse sobrinhas ou netas com cara e corpinho de porcelana, mas nunca molestou meninos. Inclusive a minha atual sogra é nove anos mais nova que a minha sobrinha caçula.
Tito conhecia bem o presidenciável e guardava na manga a mais canalha das chantagens que eu já testemunhei, que não por acaso acabou na maior investigação federal que o Brasil já teve sobre corrupção, tráfico de influência, teta-de-nega e outros crimes de gravidade acentuada. Foi uma vergonha.


CONTINUA...
Remi vive em um asilo na zona sul de São Paulo. Não há registros que confirmem suas histórias. A novela “O Mentiroso”, nunca publicada, foi escrita entre 1975 e 2004. Segundo a psiquiatria da instituição, Remi não possui parentes vivos no Brasil.